Se Oriente

Notícias do Japão: Impressões, Intimidades,Imagens,Incursões, Indiscricões



Sábado, Abril 22, 2006


Kojyo - a máscara do velho

Ontem fomos pela primeira vez assistir a uma peça do repertório do Noh National Theater. Tivemos que comprar os ingressos com mais de um mês de antecedência. Os japoneses são assíduos frequentadores do teatro tradicional. Mas de acordo com o que vimos ontem, e reforçado pelas minhas incursões nas apresentações de teatro contemporâneo, os japoneses também tem a tradição de dormir no teatro, sem o menor constrangimento. N caso do Nô, há inclusive a lenda de que se entende melhor nos sonhos, não sei se é uma desculpa ou não.
A peça de ontem era sobre o encontro da filha de um velho samurai cego com seu pai, que está no exílio. Na verdade, a personagem principal é o velho que usava a máscara da foto. O texto é todo entoado, a encenação é totalmente simbólica, os atores fazem o mínimo de gestos, e o controle do corpo é absoluto. Uma experiência compleamente diferente e nova, eu tive a impressão de um teatro estático. Os personagens são na verdade personificações, a ação é totalmente narrativa, e há o acompanhamento musical de extrema importância para pontuar as passagens principais da história. Mesmo os japoneses não entendem o texto das peças Nô, proque a linguagem bastante arcaica (japonês do séc. XIII). Mas o texto está longe de ser o elemento mais importante deste teatro, assistir a uma peça Nô é como que presenciar um ritual: o que fica registrado é a profunda precisão e serenidade.

postado por: FERNANDA RAQUEL 5:25 AM


Sexta-feira, Abril 21, 2006

Partir, se evadir, é traçar uma linha. A linha de fuga é uma desterritorialização. Fugir não é renunciar às ações, nada mais ativo que uma fuga. É também fazer fugir, não necessariamente os outros, mas fazer alguma coisa fugir, fazer uma sistema vazar como se fura um cano. Só se descobre mundos através de uma longa fuga quebrada.
Uma fuga é uma espécie de delírio. Delirar é exatamente sair dos eixos (como "pirar", etc.). Sempre há traição em uma linha de fuga. Não trapacear à maneira de um homem da ordem que prepara seu futuro, mas trair à maneira de um homem simples, que já não tem passado nem futuro. Trai-se as potências fixas que querem nos reter, as potências estabelecidas da terra.
É que trair é difícil, é criar. É preciso perder sua identidade, seu rosto. É preciso desaparecer, tornar-se desconhecido.
Perca o rosto. Torne-se capaz de amar sem lembrança, sem fantasia e sem interpretação, sem fazer o balanço. Que haja apenas fluxos, que ora secam, ora congelam ou transbordam, ora se conjugam ou se afastam. Um homem e uma mulher são fluxos. Sobre as linhas de fuga, só pode haver uma coisa, a experimentação-vida. O grande erro, o único erro, seria acreditar que uma inha de fuga consiste em fugir da vida; a fuga para o imaginário ou para a arte. Fugir, porém, ao contrário, é produzir algo real, criar vida, encontrar uma arma.
À minha vontade abjeta de ser amado, substituirei uma potência de amar: não uma vontade absurda de amar qualquer um, qualquer coisa, não se identificar com o universo, mas extrair o puro acontecimento que me une àqueles que amo, e que não me esperam mais do que eu a eles, já que só o acontecimento nos espera, Eventum tantum. Fazer um acontecimento, por menor que seja, a coisa mais delicada do mundo, o contrário de fazer um drama, ou de fazer uma história. Amar os que são assim: quando entram em um lugar, não são pessoas, caracteres ou sujeitos, é uma variação atmosférica, uma mudança de cor, uma molécula imperceptível, uma população discreta, uma bruma ou névoa. Tudo mudou, na verdade.


In: DELEUZE, Gilles. Diálogos
P.S.: Agradeço ao meu amigo Cassiano por esse presente.

postado por: FERNANDA RAQUEL 12:03 PM


Terça-feira, Abril 18, 2006


Café - obra de Foujita

Fomos à exposição desse pintor no final de semana. Tsugouharu Foujita nasceu no Japão em 1886, e seu estilo figura entre o vacabulário japonês e a modernidade ocidental. Depois de estudar na Escola de Belas Artes de Tóquio foi para Paris e fez parte da chamada "Escola de Paris", fazendo amigos como Modigliani e Picasso. É famoso por pintar as mulheres de pele branca como o leite. Na década de 30 fez uma viagem à América do Sul, passou pelo Brasil em 1932 e pintou quadros com temas do carnaval e as prostitutas do mangue no Rio de Janeiro - esses quadros estavam lá na exposição e revelavam cores até então pouco utilizadas em sua obra.
Yoshito-sensei sempre mostra pinturas dele em sua aula, quase sempre meninas de rosto angelical segurando gatos com mãos animalescas - essa tensão nas mãos das meninas em contraposição ao olhar de anjo é o que chama atencão de Yoshito.

postado por: FERNANDA RAQUEL 2:28 AM


Quinta-feira, Abril 13, 2006

Tirei esse texto do blog de Gilberto Scofield porque essa foi uma das coisas que me chamou muita atenção quando cheguei por aqui. O tal do Scofield é jornalista do jornal "O Globo" que está viajando pelo Oriente e escrevendo suas impressões (bastante suspeitas, diga-se de passagem) :

Lost in the situation
"Numa brecha entre uma entrevista e outra, fomos a Akihabara ver os preços de umas trecaiadas eletrônicas. A curiosidade me leva a uma lojinha de DVDs e brinquedos de mangás, luxo puro. No fundo, no entanto, a surpresa: uma estante cheia de DVDs de... menininhas de 6 anos, 7 anos, 9 anos, todas vestitinhas de colegial, de ursinho, de coelhinho, algumas de maiô.
Os DVDs são só isso. Meninas fazendo poses ingênuas em filmes que custam tipo uns 5 mil ienes (US$ 42). Pertinho daquela prateleira os filmes mudam. As meninas viram moças e os DVDs são totalmente eróticos, mas sem nada explícito. É um tal de garota de colegial (sempre colegial) rolando na cama, chupando pirulito, abraçando almofada, essas coisas.
Fiquei um tempo meio tentando entender a cultura japonesa, sinceramente (e aí não vai nada de moralismo babaca).
Explico-me: na noite de ontem, jantando com alguns jornalistas brasileiros em Tóquio, um deles reclamou da sociedade estranhamente incomodada com manifestações de carinho em público. Contava ele que estava abraçado com sua esposa (mão na cintura) conversando com amigos quando um japonês começou a fazer um escândalo dizendo que, se eles queriam "fazer aquilo", que fizessem no quarto. O bate-boca que se seguiu só não descanbou para a violência física por causa da turma do deixa-disso.
Hoje na hora do almoço, eu me perguntava: que diabo de sociedade é essa que acha um casal abraçado uma afronta aos costumes e tolera como liberado um voyerismo canhestro que está a milímetros da pedofilia."

Em tempo: acho estranho "O bate-boca que se seguiu só não descanbou para a violência física por causa da turma do deixa-disso.", pois demonstrações de violência em público também são muito mal vistas por aqui.
Em tempo: também me espanta que no Brasil crianças imitem a Carla Perez dançando "boquinha da garrafa" em programas dominicais.

postado por: FERNANDA RAQUEL 10:43 PM


Segunda-feira, Abril 10, 2006



Os japoneses adoram embalagens. Nem sei o que tinha dentro dessas caixinhas, mas gostei das carinhas, bem típicas.
Essa foto foi tirada durante um passeio em Asakusa, onde tem um mercado de artigos tradicionais japoneses.

postado por: FERNANDA RAQUEL 5:53 AM


Sexta-feira, Abril 07, 2006


Flor de cerejeira.

postado por: MARCIO TEIXEIRA DO NASCIMENTO VARELLA 12:41 PM



As homenageadas.

postado por: MARCIO TEIXEIRA DO NASCIMENTO VARELLA 12:40 PM



Nós nos jardins imperiais.

postado por: MARCIO TEIXEIRA DO NASCIMENTO VARELLA 12:38 PM



Jardins do Palácio Imperial.

postado por: MARCIO TEIXEIRA DO NASCIMENTO VARELLA 12:37 PM



Cerejeiras ao longo do rio Meguro, o nosso lugar
preferido para o Hanami (Naka-Meguro)

postado por: MARCIO TEIXEIRA DO NASCIMENTO VARELLA 12:28 PM



Lanternas de uma casa de chá no Parque Ueno.

postado por: MARCIO TEIXEIRA DO NASCIMENTO VARELLA 12:26 PM



A multidão caminhando sob as cerejeiras no Parque Ueno
(uma das maiores farofas hanamísitcas de Tóquio)

postado por: MARCIO TEIXEIRA DO NASCIMENTO VARELLA 12:25 PM



Assim como este grupo, muitos outros se reunem pelo parque

postado por: MARCIO TEIXEIRA DO NASCIMENTO VARELLA 12:23 PM


Para aqueles que torceram pelas nossas fotos, muito obrigada, deu certo! Como recompensa prometida, muitas fotos do HANAMI.
O Hanami significa observar/celebrar/admirar as cerejeiras em flor, o que só acontece durante uma semana bem no início da primavera. A origem desse costume data do século VIII, e ainda hoje os japoneses se admiram com a beleza das flores e fazem pequenas festas sob as árvores floridas. Se no Brasil o ano só começa depois do carnaval, aqui só começa em abril, após o Hanami.

postado por: FERNANDA RAQUEL 11:47 AM



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